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Tipo do documento: Tese
Título: Implante Coclear: estudos concernentes à biopolítica, ao biopoder e ao biocapital em III volumes
Autor: Garcia, Eduardo de Campos 
Primeiro orientador: Tiburi, Marcia Angelita
Primeiro coorientador: Rizolli, Marcos
Primeiro membro da banca: Giora, Regina Célia Faria Amaro
Segundo membro da banca: Bonini, Luci Mendes de Melo
Terceiro membro da banca: Mello, Regina Lara Silveira
Quarto membro da banca: Teixeira, Rosiley Aparecida
Resumo: Esta tese, embora aparentemente trate de assuntos concernentes ao Implante Coclear, seu objeto esbarra numa análise do que de modo visuoimperceptual autoriza a operacionalidade das modificações corporais que implicam do imbricamento entre homem e máquina: pela criação de linguagem clínico discursiva, na ordem jurídico-biológica, nas tramas interpessoais e pela própria pessoa que se autodeclara ciborgue de ouvido biônico e que acaba envolvida pela ideia da formação de outras identidades e de uma comunidade própria. Ao propor pensar em outras identidades ou em identidades outras como meio de desdobramento da linguagem que na ordem do discurso são quase sempre subjetivadas pela pessoa com implante coclear, é necessário elencar suas bifurcações no território do poder que se apresentam sob a forma de representações nominativas: surdo implantado, implantado, pessoa com implante coclear, ciborgue e ciborgue de ouvido biônico. Todos compõem o grupo que se autodenomina: comunidade de ciborgues. É por meio da constatação da existência de grupos/comunidades sistêmicas que foi possível entender que há na relação estabelecida entre as pessoas ciborgues de ouvido biônico, uma espécie de elo estético que alimenta a necessidade da hibridação homem-aparelho simplificando-a sob a forma de uma identidade fundamentada na representação de classe: ciborgue. O que aqui é explicitado tem como base visitações diárias, no período de 2 anos, a três comunidades formadas por pessoas ciborgues de ouvido biônico e seus familiares sendo seus membros pessoas de todos os estados do Brasil e de alguns outros países como Argentina, Chile, Paraguai, México, Uruguai e Portugal. Em função da complexidade de seu conteúdo, porque todo ele tem como ponto de partida a pessoa surda e a surdez como criação da indústria cultural da normalidade/anormalidade, perpassa pelo sujeito reparado e todo o poder que sustenta o discurso da reabilitação, e chega no sujeito ciborgue de ouvido biônico como objeto criado clinicamente segundo as necessidades político econômicas da indústria biotecnológica. Por isso, nesta tese, não se trata apenas de analisar a relação de sujeitos que tiveram seus corpos alterados por meio da tecnologia intraorgânica, mas de todo jogo de linguagem e poder que o cerca e que pela pessoa surda ou implantada é subjetivado. Há um jogo performático que inclui em sua trama e regra publicidade, instâncias criativas de persuasão, desenho e organização gráfica do corpo ciborgue, forma e condição, narrativas repetitivas e promessas de cura e reabilitação sob a justificativa de avanços para melhoramentos do/no corpo. A pessoa sujeitada a este esquema discursivo/linguagem sucumbe a sua intenção: produzir um novo conceito de corpo formado por peças orgânicas e peças inorgânicas, matéria viva e matéria morta. O sujeito da situação, doravante denominado por esta tese como ciborgue de ouvido biônico é, entre outras possibilidades quando analisado, resultado do que Michel Foucault (1926-1984) procurou explorar como biopolítica e biopoder e consequentemente, embora não tenha sido explorado por ele diretamente porque é um conceito que entra em cena na contemporaneidade, do biocapital. O cerne da questão que envolve o prefixo “bio” e que compõe os conceitos de biopolítica, biopoder e biocapital, está ancorado na antiguidade. É com Giorgio Agamben (1942-), como alguém que explora a teoria de Michel Foucault, em seu livro Homo Sacer, que busco a raiz das três palavras apresentadas. Agamben (2010) fala sobre dois conceitos contemporâneos: Vida nua e Bios. Vida nua é um conceito grego, que segundo ele, representa a vida indigna de ser vivida, banida, sem valor, aquele que vive à deriva e à mercê podendo ser considerado a própria “sobra” encarnada. A ela, a sobra, a aquele que não é identidade e tampouco diferença, o acaso pertence. Bios, é outro conceito e difere da Vida nua porque está inscrito da ordenação da vida jurídico-política. Encontra-se sob tutela do Estado e por ele é demarcado na medida em que se encaixa nas condições prescritas. O direito do cidadão é uma marca da vida jurídico-política. Seus deveres, também. Entender estas questões pode parecer complexo em um primeiro olhar, e são. Mas também podem ser entendidas como fundamento da vida em sociedade e seus dispositivos de controle. A vida nua é sempre a que escapa deste controle pré-anunciado. Vai ao encontro e assemelha-se ao conceito de “sobra” e/ou de não idêntico. Partindo do conceito de vida nua e bios, biopolítica, biopoder e biocapital são dispositivos que demarcam as existências tendo poder/controle sobre elas. Na ordem do discurso que se forma, os surdos, embora amparados pela lei 10.436/2002, e as pessoas que optam ou são submetidas ao implante coclear podem ser interpretadas como vidas nuas porque estão reduzidas a certo julgamento moral e como consequência são alocadas de modo “passivo” nas decisões que os capturam. Na maioria das vezes e quase sempre, as políticas públicas que deveriam tutelar e proteger o cidadão, quando se trata dos surdos e dos ciborgues de ouvido biônico, a fragilidade da proteção estatal passa a ser sua marca. Mas esta é a função, primeira, do biopoder: marcar. Sua autoridade, é antes de mais nada uma espécie de espírito sob a forma da identidade que, na medida em que é subjetivado, demarca, ordena e define o local de onde e como os sujeitos podem e como e quando devem falar. Ciborgues de ouvido biônico tem sua demarcação nas relações sociais: são, a priori, híbridos. O surdo, a surdez, o ciborgue de ouvido biônico e o ouvinte são nomenclaturas que/ou estão amparadas pelo Estado ou banidas pela vida que se encontra no domínio jurídico-político. Ainda que a palavra “jurídico” faça menção a questões legais, sua gênese esbarra na construção de juízo, quase sempre ou na maioria das vezes, na criação de linguagem clínica. É pela produção de linguagem clinicamente constituída que identidades normativas e funcionais se tornaram regra nas relações interpessoais desde o século XIX – como pode ser observado nos escritos de Michel Foucault (Op.Cit.), vide a condição de normalidade e anormalidade prescrita e posta em cena pela enciclopédia médica ao longo dos séculos XIX e XX. Neste ponto de vista, Foucault (Op.Cit.) e Canguilhem (1904-1995) concordam entre si. Sob a perspectiva do controle, a biopolítica, o biopoder e o biocapital, embora sejam correlacionados, são evoluções do poder. Em ordem decrescente, se o século XXI vivência um corpo que está autorizado de modo jurídico-político a ser alterado, e consequentemente clama uma identidade para si, sua nominação como ciborgue de ouvido biônico atende a uma ordem para esquematização do controle sobre seu corpo. Biocapital, é a vida inscrita, sob a forma de capital biológico, feito produto e/ou coisa, mas que está sob o controle do Estado na medida em que este representa o próprio liberalismo em demasia: as pessoas podem comprar seus corpos, membros e órgãos num catálogo como se estivessem num supermercado. A oferta e a procura, no mercado, agora tem relação com a reconfiguração do corpo no qual e pelo qual encontra-se um esvaziamento estético e sua gradual substituição por um senso cosmético. Como foi declarado por uma mãe, responsável pela escolha da implantação do dispositivo intraorgânico em/de seu filho: ficamos até o final da vida atrelados a uma empresa que cobra o quanto quiser para fazer a manutenção da orelha do meu filho. Às vezes, nem tem peça porque tiram de linha determinado modelo e não produzem mais. A manutenção é cara e eu tive a sorte de ganhar o processo que determina que seus custos sejam cobertos pelo plano de saúde. O SUS também implanta, mas a qualidade é bem inferior1. Enfim, ainda que não esteja bem definido as leis que garantam o direito das pessoas com implante coclear a um produto com qualidade e que assegure o alcance da “cura”, o mercado define seu cotidiano na medida em que provoca uma relação entre empresa e consumidor. Neste sentido, o ciborgue de ouvido biônico é proposto a ser, por analogia, interpretado como Vida Nua porque ele vive a mercê do julgamento alheio. Como foi possível verificar, espera entre tantas outras coisas, seu lugar na sociedade como algo definido e que lhe possibilite representação institucional no território político. Embora o ciborgue de ouvido biônico seja uma realidade na contemporaneidade, seu capital simbólico está em construção porque mesmo sua condição enquanto pessoa permanece numa zona de interstício: é um humano maquínico e/ou uma máquina humanizada. Óbvio que a busca para uma possível definição não foi simples, mas a tese aponta que as pessoas submetidas ao implante coclear se relacionam entre si se autodenominando ciborgues. Para eles, ciborgue é o meio pelo qual se define um organismo melhorado tecnologicamente. Seu princípio esbarra em acordos internacionais e de interesse econômico e de mercado. Contudo, o biocapital, ou suas provocações no território do controle, não estariam ativas se toda uma ação do biopoder não tivesse sido articulada desde o século XIX e se aperfeiçoado, em seu percurso secular, no século XXI. O biopoder, em nome da subjetividade humana, em todo o século XX procurou travar uma batalha de classes sociais, regimes de governança, lutas identitárias: superficiais e violentas. Criou verdades e por meio delas aferiu juízos, impôs uma moral para todo e qualquer corpo em nível de: sexo, gênero, raça e natureza. A ciência positiva que avançava no século XX, propunha pensar a vida e sua existência sob a ótica das classificações e como consequência possibilitou que a identidade de cada um fosse elevada à condição de categoria de grupo: estes, sob o domínio do biopoder, estavam prescritos segundo a hereditariedade, a realidade econômica e territorial e unidos sob o laço imaginário de sua comunidade. Os aparelhos ideológicos do Estado (como proposto por Althusser 1918-1990) tratavam de ensinar e manter ativo a linguagem para criação dos idênticos; da qual a diferença não escapa. Toda diferença, como apontado pela tese, é uma demarcação negativa quando relacionada a identidade matriz, mas é também o indício e demarcação de uma “identidade outra” quando agrupada em comunidade. A biopolítica, o biopoder e o biocapital, em síntese, constituem a força de domínio que proponho ser compreendida como visuoimperceptual. Ela tira a autonomia dando a impressão de atuar por meio dela. Surdos, ouvintes, surdos naturais e ciborgues de ouvido biônico (pessoas com implante coclear) estão neste jogo triangular e visuoimperceptual. Disputam entre si o palanque da razão e tentam, cada qual com seus argumentos, convencer que sua forma de vida está na ordem da razão, da melhor escolha, da evolução humana. No fundo, de um buraco sem fundo, quando se escava para buscar respostas numa tentativa arqueológica, o que se encontra são camadas e camadas de identidade, quase todas vazias e frias feito coisa morta da qual emana a alegoria para a vida cotidiana. A frieza nas relações parece ser própria do cotidiano. Estão sobrepostas sob a forma de conquista, mas não dizem nada sobre a pessoa que a incorpora. O que sobra, como pode ser constatado após ler e analisar, inúmeras postagens dos grupos na rede social formados por pessoas com implante coclear e seus familiares, parece ser a angústia, decepção, medo (quando o implante coclear não dá certo). Contudo, não seria possível pensar em biocapital e biopoder se no final do século XIX a vida não tivesse sido inscrita no controle do Estado: ato de governança. A biopolítica é o esqueleto que dá suporte para o desencadeamento de toda estrutura da nova forma de poder sobre a vida: o biocapital. A biologia, mais que um estudo sobre a vida, retoma e empresta o conceito de Bios e numa releitura, propõe, mais que interpretações; determina prescrições. O Bios em Biopolítica, biopoder e biocapital é a vida prescrita clinicamente e tutelada pela ordem do Estado. O que não significa que sua vida esteja protegida completamente. O Estado é ardiloso. Eis a necessidade de apresentar uma tese em III Volumes. Cada volume trata gradativamente, tendo como eixo norteador o implante coclear, a evolução da biopolítica para o biopoder e do biopoder para o biocapital. Como consequência, trata da construção das identidades, dos trabalhos gráficos, do discurso e da linguagem clinicamente criada e posta em circulação por meio dos Aparelhos Ideológicos do Estado. Suas produções chegam a população, que dela se serve, em escala industrial. Trata, também, da subjetivação do corpo robótico ou do humano elétrico-maquínico e dos modos como se relacionam em sua comunidade. Não seria possível explorar tamanho território se os temas como: problemas da contemporaneidade provocados pela produção de linguagem clínico-discursiva, a educação pelas identidades e a indústria cultural da normalidade; produção cinematográfica e genética, o discurso secreto do DNA, o ser humano como inscrição e o corpo como produto no mercado – patentes, séries, modelos e afins entre a ficção e a realidade; sobre os percalços provocados pelo uso da tecnologia intraorgânica na contemporaneidade, discursos vazios e subjetividade ciborgue, não fossem desdobrados, cada qual, em volumes independentes. Ao mesmo tempo, todos os temas obedecem uma sequência didático/metodológica que resulta na facilitação de seu entendimento e correlações. Cada volume retrata episódios concomitantes e/ou, embora em tempos diferentes, estão entrelaçados pela proposta do controle visuoimperceptual. No entanto, é possível ler os volumes numa sequência, e por isso, as numerações contidas em suas páginas obedecem uma ordem linear. Mas é possível lê-los separadamente, ou ler os volumes buscando informações entre eles por meio das indicações marcadas em alguns parágrafos. Por exemplo, do volume I é possível “saltar” para o volume III e compreender sobre alguns assuntos com maior profundidade porque todos os volumes têm a intenção de se comunicarem, as indicações de imersão entre os volumes estarão no rodapé de suas páginas. Portanto, é possível fazer uma leitura imersiva, de modo não totalmente linear na medida em que o modo como foi pensada a tese, permite ir e vir – na busca de informações – entre os volumes. Por fim, acredito ser valioso informar que toda esta tese tem como característica ser provocativa. Meu posicionamento não é se colocar a favor ou contra o implante coclear, mas apresentar os possíveis lados de uma mesma questão: provocar.
Abstract: This thesis, though apparently deals with issues concerning the Cochlear Implant, its object collides an analysis than visuoimperceptual order authorizing the operation of body modification involving the overlapping between man and machine: the creation of discursive clinical language, legal and biological order in interpersonal plots and by the person who declares itself cyborg bionic ear and ends up involved the idea of the formation of other identities and their own community. In proposing think of other identities, often subjetivadas by the person with a cochlear implant, you need to list their bifurcations in power of the territory: implanted deaf, implanted, people with cochlear implants, and cyborg cyborg bionic ear. All make up the group calling itself: cyborg community. It is through the finding of groups / systemic communities it was possible to understand that there is the relationship established between the cyborgs people bionic ear, a kind of aesthetic link that feeds the need for man-machine hybridization simplifying it in the form of an identity: cyborg. What is here explained has the daily visitations basis, within 2 years, the three communities formed by cyborgs people bionic ear and their families and its members people from all states of Brazil and some other countries like Argentina, Chile, Mexico, Uruguay and Portugal. Depending on the complexity of its content, because all it takes as its starting point the deaf person and deafness as creation of cultural industry normality / abnormality, moves through the repaired subject and all the power that sustains the discourse of rehabilitation, and arrives in subject cyborg bionic ear as clinically object created in the economic political needs of the biotechnology industry. Therefore, this thesis is not only to analyze the subject of relationship that had altered their bodies through intraorgânica technology, but the whole language game and power that surrounds him and the deaf or implanted person subjectivizing. There is a performative game that includes in its plot and advertising rule, creative instances of persuasion, design and cyborg body, shape and condition, repetitive stories and promises of healing and rehabilitation under the justification of advances for / improvements in the body. The person subjected to this discursive scheme / language succumbs to its intention: to produce a new concept of body parts made up of organic and inorganic parts, living matter and dead matter. The subject of the situation, hereinafter called bionic ear cyborg is, among other possibilities when analyzed, a result of what Michel Foucault (1926-1984) sought to explore how biopolitics and biopower and consequently, although it has not been explored by him directly because it is a concept that comes into play in contemporary times, the biocapital. The heart of the matter involving the prefix "bio" and that makes up the concepts of biopolitics, biopower and biocapital, is anchored in antiquity. It is with Giorgio Agamben (1942-) as someone who explores the theory of Michel Foucault, in his book Homo Sacer, I seek the root of the three words presented. Agamben (2010) talks about two contemporary concepts: naked life and Bios. Bare life is a Greek concept, which he said is a life unworthy of being lived, banished, worthless, who lives adrift and at the mercy. To her, the accident belongs. Bios is another concept and differs from bare life because you are subscribed ordination of legal and political life. It is under supervision of the State and it is marked in that it fits the prescribed conditions. The right of citizens is a mark of the juridical and political life. His duties also. Understanding these issues can seem complex at first glance, and are. But it can also be understood as the foundation of society and its control devices. The bare life is always the leaking of this pre-announced control. Meets and resembles the concept of "left" and / or non-identical. Based on the concept of bare life and bios, biopolitics, biopower and biocapital are devices that demarcate stocks having power / control over them. The order of the speech that forms the deaf, although protected by law 10.436 / 2002, and people who choose or are submitted to cochlear implantation can be interpreted as bare lives because they are reduced to certain moral judgment and as a result are allocated so "liability" in the decisions that capture them. Most of the time, and often, public policies that should safeguard and protect citizens when it comes to the deaf and bionic ear cyborgs, the fragility of state protection becomes your brand. But this is a function, first, of biopower: score. His authority is above all a kind of spirit in the form of identity that, to the extent that subjectivizing, marks, orders and defines the location of where and how the subject can and how and when to speak. Bionic ear cyborgs has its demarcation in social relations: they are a priori hybrids. The deaf, deafness, the cyborg bionic ear and the listener are nomenclatures / or are supported by the state or banned for life that is in the legal and political domain. Although the "legal" word make mention of legal issues, its genesis collides with the construction of judgment, almost always or most of the time, the creation of clinical language. It is made clinically by language production that normative and functional identities became rule in interpersonal relationships since the nineteenth century - as can be seen in the writings of Michel Foucault (op.cit.), See the condition of normality and abnormality prescribed and commissioning scene by the medical encyclopedia over the nineteenth and twentieth centuries. In this view, Foucault (op.cit.) And Canguilhem (1904-1995) agree. Under the control perspective, biopolitics, biopower and biocapital, although related, are power developments. In descending order, the twenty-first century living a body that is authorized legal and political order to be changed, and consequently calls an identity for himself, his nomination as bionic ear cyborg meets an order for layout of control over your body. Biocapital is the registered life, in the form of biological capital, made product and / or thing, but that is under state control to the extent that this is liberalism itself too much. The supply and demand in the market, now is related to the reconfiguration of the body. As stated by a mother, responsible for choosing the implementation of intraorgânico device in his son stayed until the end of life is linked to a company that charges all you want to do to my son's ear maintenance. Sometimes even have part because they take a particular line model and do not produce more. Maintenance is expensive and I was fortunate enough to win the process that determines that its costs are covered by the health plan. The SUS also deploys, but the quality is much lower. Anyway, even if it is not well defined laws that guarantee the right of people with cochlear implants to a quality product and to ensure the achievement of "healing", the market defines their daily lives to the extent that causes a relationship between company and consumer . In this sense, the bionic ear cyborg is proposed to be by analogy interpreted as Naked Life. As we observed, waiting among many other things, their place in society as something defined and to enable it to institutional representation in political territory. Although the bionic ear cyborg is a reality in contemporary society, its symbolic capital is under construction because even their condition as a person remains in an interstitial zone: is a human machinic and / or a humanized machine. Obviously the search for a possible definition was not simple, but the thesis shows that people submitted to cochlear implantation relate to each other calling themselves cyborgs. For them, cyborg is the means by which to define an improved body technology. Principle bumps into international agreements and economic interests and market. However, the biocapital or its provocations in control of the territory would not be active if every one share of biopower had not been articulated since the nineteenth century and perfected in its secular path, the twenty-first century. Biopower, on behalf of human subjectivity, throughout the twentieth century sought to wage a battle of social classes, governance schemes, identity struggles: superficial and violent. Created truths and through them has measured judgments, imposed a moral to each and every body at the level of sex, gender, race and nature. Positive science advancing in the twentieth century, proposed thinking about life and its existence from the perspective of the classifications and as a result made it possible for the identity of each were elevated to group category condition: these under the biopower field were prescribed according to heredity, the economic reality and territorial cohesion and united under the imaginary tie their community. The state ideological apparatuses (as proposed by Althusser 1918-1990) tried to teach and keep alive the language for the creation of identical; of the difference does not escape. All the difference, as pointed out by the thesis, is a negative demarcation when related to identity matrix, but is also the hint and demarcation of an "identity other" when grouped in community. The biopolitics, biopower and biocapital, in short, are the domain of strength which I propose be understood as visuoimperceptual. It takes away the autonomy giving the impression of working through it. Deaf, listeners, natural deaf and cyborgs of bionic ear (people with cochlear implants) are triangular and visuoimperceptual this game. They compete for the podium of reason and try, each with their arguments, to convince that their way of life is in the order of reason, the best choice, of human evolution. At the bottom of a bottomless pit when digging to find answers what lies are layers and layers of identity. They overlap in the form of conquest, but say nothing about the person who embodies. What remains, as can be seen after reading and analyzing, numerous threads of groups on the social network formed by people with cochlear implants and their families, seems to be the anguish, disappointment, fear (when the cochlear implant does not work). However, you could not think of biocapital and biopower in the late nineteenth century life had not been entered in the state control: Governance Act. The biopolitics is the skeleton that supports the triggering of the whole structure of the new form of power over life: the biocapital. Biology, but a study of the life resumes and borrows the concept of Bios and a re-reading, proposes more than interpretations, determines prescriptions. The Bios on Biopolitics, biopower and biocapital is clinically prescribed life and governed by the order of the State. This does not mean that your life is fully protected. The state is crafty. Here the need to present a thesis in Volumes III. Each volume comes gradually, with the guiding principle cochlear implant, the evolution of biopolitics for biopower and bio-power to biocapital. As a result, deals with the construction of identities, graphics work, speech and language clinically created and circulated through the Ideological Apparatuses of the State. Their production reach the population, which it serves, on an industrial scale. It is also the subjectivity of the robotic body or electric-machinic human and ways how they relate to your community. It could not exploit size territory themes as contemporary problems caused by the production of clinical-discursive language, education and cultural identities by normal industry; film production and genetics, the secret of DNA speech, the human being as registration and the body as a product on the market - patents, series, models and the like between fiction and reality; about the mishaps caused by the use of technology in contemporary intraorgânica, empty speeches and cyborg subjectivity, were not deployed, each in separate volumes. At the same time, all subjects obey one didactic / methodological sequence which results in facilitating their understanding and correlations. Each volume depicts concomitant and / or episodes, although at different times, are interlaced by visuoimperceptual control proposal. However, it can read the volumes in a sequence and therefore the numbering contained in its pages follow a linear order. But you can read them separately, or read the volumes seeking information among them through signs marked in a few paragraphs. For example, the volume I can "jump" to Volume III and understanding on some issues in greater depth because all volumes are intended to communicate, soaking directions between the volumes are in the footer of your pages. Therefore, it is possible to make an immersive reading, not completely linear fashion in that the way it was thought the thesis, allows coming and going - in search of information - among volumes.
Palavras-chave: identidade ciborgue
tecnologia intraorgânica
linguagem clínica
Área(s) do CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Sigla da instituição: UPM
Departamento: Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT)
Programa: Educação, Arte e História da Cultura
Citação: GARCIA, Eduardo de Campos. Implante Coclear: estudos concernentes à biopolítica, ao biopoder e ao biocapital em III volumes. 2015. 608 f. Tese( Educação, Arte e História da Cultura) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/2925
Data de defesa: 18-Dez-2015
Aparece nas coleções:Doutorado - Educação, Arte e História da Cultura

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